Roteiro da primeira consulta de harmonização orofacial

A primeira consulta é onde o paciente decide se confia em você. Não só se vai fazer o procedimento, mas se você é a pessoa certa para mexer no rosto dele. Uma consulta com roteiro claro transmite organização e segurança, e deixa espaço para o que realmente importa: ouvir e explicar.
Roteiro não é script engessado. É uma sequência de etapas com objetivo definido, que você adapta ao paciente e ao seu jeito. Abaixo, uma proposta de estrutura para a primeira consulta de harmonização orofacial (HOF), com tempos de referência e falas que você pode ajustar.
Visão geral: etapas, tempo e objetivo
| Etapa | Tempo de referência | Objetivo |
|---|---|---|
| 1. Recepção | 3 a 5 min | Paciente à vontade, expectativa da consulta alinhada |
| 2. Escuta da queixa | 5 a 10 min | Entender o que incomoda e por quê |
| 3. Anamnese | 5 a 10 min | Saúde, histórico, contraindicações |
| 4. Fotos padronizadas | 3 a 5 min | Registro clínico e base para a simulação |
| 5. Avaliação facial | 5 a 10 min | Análise por terços, proporções, prioridades |
| 6. Explicação do plano | 5 a 10 min | Paciente entende regiões, volumes, riscos |
| 7. Simulação | 3 a 5 min | Paciente visualiza a direção do plano |
| 8. Orçamento | 5 min | Valor claro, por escrito, com validade |
| 9. Próximo passo | 2 a 3 min | Agendamento ou contato combinado |
Os tempos são referência, não regra. Um paciente ansioso pode precisar de mais tempo na escuta; um paciente que já fez vários procedimentos pode andar mais rápido na anamnese.
Etapa 1: recepção
Os primeiros minutos definem o clima. Apresente-se, diga como vai ser a consulta e quanto tempo deve levar. Isso reduz a ansiedade e mostra que existe um método.
"Hoje a gente vai conversar sobre o que te trouxe aqui, eu vou fazer algumas perguntas de saúde, tirar umas fotos e avaliar o seu rosto. No final, eu te explico o que eu indicaria e quanto fica. Você não precisa decidir nada hoje."
A última frase tem um efeito importante: tira a pressão do ar. Paciente que não se sente pressionado presta mais atenção.
Etapa 2: escuta da queixa
Pergunte aberto e deixe o paciente falar. Anote as palavras dele, não a sua tradução técnica.
"O que te fez marcar essa consulta? O que mais te incomoda quando você se olha no espelho ou em foto?"
Perguntas de aprofundamento úteis:
- "Desde quando isso te incomoda?"
- "Em que situação você mais percebe?"
- "Você já fez algum procedimento no rosto? Como foi?"
- "Se você pudesse mudar uma coisa só, qual seria?"
- "O que você não quer de jeito nenhum?"
A última pergunta é preciosa. "Não quero ficar com boca de pato" ou "não quero que ninguém perceba" dizem tanto quanto a queixa.
Etapa 3: anamnese
Siga o protocolo da sua clínica e do seu conselho. Em geral entram doenças, medicamentos (especialmente anticoagulantes e antiagregantes), alergias, histórico de herpes labial, gestação ou amamentação, procedimentos anteriores com produto e data, doenças autoimunes e tendência a hematoma.
Explique por que você pergunta. "Pergunto sobre remédios porque alguns aumentam a chance de roxo" é melhor do que uma lista seca de perguntas.
Etapa 4: fotos padronizadas
Fotos são registro clínico e proteção para você. Também são a base de qualquer comparação futura e de qualquer simulação. Use sempre o mesmo protocolo: luz frontal e difusa, câmera na altura dos olhos, fundo liso, expressão neutra, sem maquiagem pesada. O guia de fotografia clínica padronizada detalha isso.
Antes de fotografar, peça autorização e explique o uso. Foto do rosto é dado pessoal sensível, e o tratamento segue a LGPD. Veja consentimento e LGPD em fotos.
"Vou tirar algumas fotos do seu rosto. Elas ficam no seu prontuário e servem para eu planejar e para a gente comparar depois. Elas não são publicadas sem a sua autorização por escrito."
Etapa 5: avaliação facial
Avalie o rosto como um todo antes de olhar a queixa isolada. A divisão em terço superior, terço médio e terço inferior ajuda a organizar a análise e a explicação. O guia de avaliação facial por terços aprofunda.
Faça a avaliação em voz alta, de forma acessível, começando pelo que o paciente trouxe.
"Você comentou da olheira. Olhando o rosto inteiro, eu vejo que parte dessa sombra vem da perda de apoio aqui na maçã do rosto. Por isso, às vezes, tratar só embaixo do olho não resolve o que você sente."
Etapa 6: explicação do plano
Agora o plano. Região por região, com o efeito esperado em linguagem simples, a quantidade aproximada, a durabilidade em faixa usual e os cuidados. Fale de riscos com serenidade. Um paciente que ouve sobre riscos na consulta confia mais do que um que descobre depois.
"O que eu indicaria é começar pelo malar e pela olheira. O produto é ácido hialurônico, que o corpo absorve com o tempo e que pode ser revertido se precisar. Depois é normal ficar um pouco inchado por alguns dias. Eu vou te explicar o que é esperado e o que não é."
Esse é o momento de apresentar o consentimento informado. Ele não é um papel para assinar na pressa: é a formalização do que você acabou de explicar.
Etapa 7: simulação
Com o plano entendido, mostre a direção dele em imagem. Uma simulação ilustrativa sobre a foto do próprio paciente ajuda a alinhar expectativa e intensidade. Diga sempre, antes de mostrar, que é simulação e não promessa.
"Essa imagem é uma simulação feita a partir da sua foto, seguindo o plano que eu te expliquei. É para você ter uma ideia da direção, não é garantia de resultado."
Ouça a reação. Se o paciente achar demais ou de menos, ajuste o plano junto com ele. O detalhamento desse momento está em como apresentar o antes e depois na consulta.
Etapa 8: orçamento
Valor por escrito, com regiões, quantidades, valor, forma de pagamento e validade. Se o plano for grande, mostre as etapas possíveis. O cálculo do valor por mililitro está em precificação por ml.
"Aqui está o orçamento com cada região. Ele vale por quinze dias. Se preferir começar só pela primeira etapa, o valor dela está separado aqui."
Etapa 9: próximo passo
Encerre com uma combinação clara. Se o paciente quer agendar, agende. Se quer pensar, combine o contato.
"Você prefere já deixar uma data reservada ou quer pensar com calma? Se quiser pensar, posso te chamar na semana que vem para tirar alguma dúvida?"
Se ele disser que prefere procurar você, aceite. Anote na ficha o que foi combinado. Para o que vem depois do procedimento, veja retorno e fidelização.
Checklist da primeira consulta
- Expliquei como seria a consulta e que não é preciso decidir hoje.
- Anotei a queixa com as palavras do paciente, e o que ele não quer.
- Fiz a anamnese completa e expliquei por que pergunto.
- Pedi autorização para as fotos e expliquei o uso.
- Avaliei o rosto inteiro, começando pela queixa.
- Expliquei o plano com efeito, quantidade, durabilidade e riscos.
- Apresentei o consentimento informado.
- Mostrei a simulação dizendo que não é promessa.
- Entreguei orçamento por escrito com validade.
- Combinei o próximo passo e registrei.
Como o Harmy encaixa nesse roteiro
As etapas 4, 7 e 8 podem acontecer no mesmo aparelho. No Harmy você cria a projeção com o nome do paciente, tira a foto frontal (ou usa uma da galeria), toca nos pontos das regiões do plano e define os ml de cada uma no Planejamento. A projeção muda só as regiões marcadas. Da mesma sessão sai o orçamento em PDF com a logo da clínica, e tudo fica no histórico do paciente para o retorno. O fluxo completo está em nova projeção.
Resumo
Uma boa primeira consulta tem começo, meio e fim: acolher, ouvir, avaliar, explicar, mostrar, orçar e combinar. Seguir o mesmo roteiro com todos os pacientes deixa a sua consulta mais segura, mais rápida de conduzir e mais fácil de melhorar. E o paciente percebe a diferença entre um atendimento improvisado e um atendimento pensado.
Perguntas frequentes
Quanto tempo deve durar a primeira consulta de harmonização facial?
Em geral algo entre 40 e 60 minutos é suficiente para escuta, avaliação, fotos, explicação do plano e orçamento. O mais importante é não pular etapas, especialmente a escuta e a explicação de riscos.
Devo fazer o procedimento na primeira consulta?
Depende do seu protocolo e do caso. Muitos profissionais preferem separar avaliação e procedimento, para o paciente decidir com calma e ler o termo de consentimento antes. Se fizer no mesmo dia, garanta que o consentimento seja informado de verdade.
O que perguntar na anamnese de harmonização orofacial?
Queixa principal, histórico de procedimentos estéticos, alergias, medicamentos em uso, doenças, gestação ou amamentação, tendência a hematoma e expectativas. As perguntas exatas seguem o protocolo do seu conselho e da sua clínica.
Como encerrar a consulta quando o paciente não fecha?
Entregue o orçamento por escrito com validade, pergunte se ficou alguma dúvida e combine, com permissão dele, quando você vai entrar em contato. Sem pressão e sem desconto improvisado.