Olheiras e goteira lacrimal, anatomia e preenchimento

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Ilustração de rosto feminino em linhas índigo e teal com a região abaixo dos olhos realçada em dourado

As olheiras são uma das queixas mais frequentes do consultório e uma das mais difíceis de resolver bem. Na harmonização orofacial, o foco do preenchimento é a goteira lacrimal (tear trough), o sulco que vai do canto interno do olho em direção à bochecha, no limite entre a pálpebra inferior e o terço médio. Quando esse sulco se aprofunda, cria sombra e dá ao rosto aparência de cansaço.

Quais são os limites anatômicos da goteira lacrimal?

A goteira lacrimal começa no canto medial do olho e desce em diagonal, acompanhando o rebordo orbitário inferior. Lateralmente, ela continua como o sulco palpebromalar. Os elementos anatômicos principais são:

  • Rebordo orbitário inferior, que dá o suporte ósseo da região.
  • Ligamento tear trough e ligamento de retenção orbitário, que prendem a pele ao osso e formam o sulco.
  • Músculo orbicular do olho, nas porções palpebral e orbital.
  • Gordura suborbicular e bolsas de gordura orbitárias, que mudam a forma da região com a idade.
  • Pele muito fina, que deixa transparecer cor, vasos e produto.

Vasos e nervos de atenção

A goteira lacrimal é uma zona de alto risco vascular. Na revisão anatômica, considere:

  • Artéria angular, no canto medial, com anastomoses com ramos da artéria oftálmica.
  • Artéria e nervo infraorbitais, que emergem pelo forame infraorbital, abaixo do rebordo.
  • Veia angular e plexos venosos da região, ligados à drenagem orbitária.

Uma oclusão vascular nessa área pode causar necrose e, em casos raros, perda visual. É uma das regiões em que a experiência do profissional mais pesa.

O que o paciente costuma pedir?

O paciente fala de olheira de muitas formas:

  • "Pareço cansada o tempo todo."
  • "O corretivo não esconde mais."
  • "Tenho um buraco embaixo do olho."
  • "Herdei as olheiras da minha mãe."

Na avaliação, diferencie os tipos de olheira, porque só um deles é indicação clássica de preenchimento:

Tipo de olheira Característica Resposta ao preenchimento
Estrutural (sulco) Sombra por depressão da goteira Costuma responder bem
Pigmentar Cor acastanhada na pele Preenchimento não trata a cor
Vascular Tom arroxeado por vasos aparentes Resposta limitada
Por bolsa de gordura Volume acima do sulco Preencher pode piorar; avaliar cirurgia

Muitos pacientes têm mais de um componente. Explicar isso antes evita a sensação de que "não funcionou".

Quais procedimentos podem ser feitos nas olheiras?

O procedimento principal é o preenchimento de olheiras com ácido hialurônico de baixa reticulação e baixo G', escolhido para ficar macio e pouco hidrofílico. A técnica, o uso de cânula ou agulha e o plano de aplicação são decisão do profissional habilitado, conforme as normas do seu conselho.

Dois procedimentos costumam caminhar junto:

Quais são os volumes usuais nas olheiras?

Faixas usuais em ml de ácido hialurônico, a critério do profissional habilitado, após avaliação:

Situação Faixa usual por lado Observação
Sulco discreto 0,3 a 0,5 ml Muitas vezes basta
Sulco moderado 0,5 a 1 ml Considerar retorno para ajuste
Sulco profundo com perda malar Até 1 ml na goteira, mais suporte malar Tratar o terço médio primeiro
Durabilidade Em geral de 9 a 18 meses Pode durar mais pela pouca mobilidade

Na goteira, a regra de bolso é que menos costuma ser mais. Excesso de produto aqui tende a ficar visível e edemaciado.

Cuidados, contraindicações e complicações

Além das contraindicações gerais (infecção ativa, gestação e amamentação, alergia, expectativa irreal), avalie com cuidado:

  • Bolsas de gordura evidentes e flacidez palpebral.
  • Edema palpebral matinal crônico.
  • Pele muito fina e translúcida.
  • Cirurgia palpebral recente.

Complicações relatadas:

  • Edema persistente, a mais característica da região.
  • Efeito Tyndall por produto superficial.
  • Hematoma, nódulos e irregularidades.
  • Oclusão vascular, com risco de necrose e de complicação visual.

A hialuronidase deve estar disponível no consultório, junto com um protocolo de manejo de intercorrência visual. Veja a visão geral de segurança e complicações.

Quando a olheira não é indicação de preenchimento?

Na goteira lacrimal, a seleção do paciente pesa tanto quanto a técnica. Alguns cenários em que muitos profissionais preferem não preencher, ou tratar outra região antes:

  1. Bolsa de gordura evidente: o volume acima do sulco tende a parecer maior depois do preenchimento.
  2. Edema palpebral frequente: a região pode reter ainda mais líquido com o produto.
  3. Pele muito fina e translúcida: aumenta o risco de efeito Tyndall e de produto visível.
  4. Olheira predominantemente pigmentar ou vascular: o preenchimento não muda a cor.
  5. Perda importante de suporte malar: tratar o terço médio antes costuma reduzir o volume necessário na goteira.

Explicar ao paciente por que a olheira dele não é indicação, ou por que o plano começa pelo malar, faz parte de um atendimento seguro. Fotos padronizadas, com a mesma luz, ajudam nessa explicação.

Como as olheiras aparecem no Harmy?

No Harmy, a região é o ponto Olheira da marcação. Depois da foto frontal, o app detecta o rosto no próprio aparelho e mostra os pontos com rótulos. Toque na Olheira para incluí-la no planejamento.

Tela de marcação do Harmy com o ponto Olheira selecionado abaixo dos olhos

No Planejamento, defina o volume em ml (passo de 0,5 ml, de 0,5 a 5 ml). Como é região bilateral, o valor é o total, dividido entre os dois lados. Na simulação deste site foi usado 1 ml no total. A projeção muda só a região marcada: não clareia a pele, não aplica maquiagem e não mexe na expressão. Por isso o efeito é sutil, como deve ser na goteira.

Para o passo a passo, veja marcar zonas e volumes.

Como conversar com o paciente sobre olheiras

A olheira é a queixa em que a expectativa mais se descola do possível, porque o paciente costuma esperar que a cor também suma. Uma simulação ilustrativa que muda só o sulco ajuda a mostrar o que o preenchimento faz, e abre espaço para falar do que ele não faz.

Use a projeção como apoio, deixe claro que não é promessa e registre a conversa. Para conduzir essa etapa, veja como apresentar o antes e depois na consulta.

Perguntas frequentes

Preenchimento resolve qualquer olheira?

Não. O preenchimento atua na olheira causada por sulco ou depressão. Olheira por pigmentação, vasos aparentes ou bolsa de gordura em geral pede outras abordagens, e às vezes avaliação cirúrgica.

Quanto ácido hialurônico se usa nas olheiras?

Volumes pequenos, em geral de 0,3 a 1 ml por lado, a critério do profissional habilitado após avaliação. Na região, menos produto costuma dar resultado mais natural.

Quanto tempo dura o preenchimento de olheiras?

Em geral de 9 a 18 meses, e às vezes mais, porque a região tem pouca movimentação. A duração varia com o produto e o paciente.

O preenchimento de olheiras pode deixar a pele azulada?

Pode. É o efeito Tyndall, que acontece quando o ácido hialurônico fica muito superficial. Em geral se resolve com hialuronidase.

Como simular olheiras no Harmy?

Marque o ponto Olheira na foto frontal e defina o volume no Planejamento. Como a região é bilateral, o ml informado é o total, dividido entre os dois lados.

As imagens do Harmy são simulações ilustrativas geradas por IA a partir da foto do paciente, para apoiar a conversa entre profissional e paciente. Não são promessa de resultado. Indicação, técnica, produto e volume são decisão exclusiva do profissional habilitado. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação clínica.

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